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Fiscalização de medidas restritivas no Rio terá mil agentes

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As ações de fiscalização para verificar o cumprimento das novas medidas restritivas no Rio de Janeiro, causadas pela pandemia, serão feitas durante 24 horas por mil agentes da Guarda Municipal e integrantes da Subsecretaria de Operações, da Vigilância Sanitária e das coordenadorias de Controle Urbano e de Licenciamento e Fiscalização, além do apoio das polícias Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. 

O secretário de Ordem Pública do Rio, Brenno Carnevale, informou que as ações começam hoje (5) às 17h. Só vão terminar no fim da próxima quinta-feira (11). Ele considerou suficiente o número de agentes na fiscalização para atender toda a cidade, porque as ações serão móveis e realizadas conforme as irregularidades forem identificadas pelo monitoramento.

“Estamos com esse compromisso desde o início do ano. Fizemos ações de conscientização e orientação em janeiro. Posteriormente, tivemos o período que abrangeria o carnaval e agora estamos diante de uma situação normativa nova. Teremos a atuação mais uma vez de efetivo da Guarda Municipal e da Secretaria de Ordem Pública em fiscalização diuturna de eventos, aglomerações e outras atividades que possam colocar em risco o cumprimento das medidas de proteção à vida. Haverá monitoramento das câmeras do Centro de Operações Rio, 24 horas por dia”, disse, durante entrevista coletiva para apresentação do esquema das ações de combate às aglomerações.

Caráter preventivo

Especificou que as ações têm caráter preventivo, baseadas em avaliações técnicas e científicas e orientadas pelos alertas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre a situação de contaminação do país, no sentido de que o Rio de Janeiro não vai esperar por um cenário crítico. “Teremos os comboios e a Guarda Municipal capilarizada com todo o efetivo de patrulhamento e rondas para a identificação de possíveis irregularidades, assim como os canais de denúncia da prefeitura (1746), como aconteceu no carnaval”, disse.

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Carnevale reforçou que, após as 17h de hoje, fica proibida a permanência de pessoas nas vias e praças públicas das 23h às 5h, mas é permitido o deslocamento nas ruas. As praias também estão incluídas neste horário, mas no resto do dia a frequência está permitida. 

“A presença de pessoas na praia não está proibida e as atividades esportivas também. Estão proibidas as atividades comerciais de ambulantes itinerantes e de pontos fixos e funcionamento de quiosques. As atividades esportivas estão liberadas, inclusive, porque cientificamente é uma atividade importante para a saúde da população”, explicou, acrescentando, no entanto, que também terão que obedecer ao horário de impedimento entre 23h e 5h.

Também não serão permitidos eventos e festas que serão alvo de investigação e fiscalização, tanto em áreas públicas como particulares. Ficam suspensas as  rodas de samba e o funcionamento de boates e casas de espetáculos, além de feiras de arte e de ambulantes. As feiras livres para a venda de produtos hortifrutigranjeiros estão permitidas  porque têm relação com a cadeia de abastecimento.

Comércio

O funcionamento de bares, lanchonetes e restaurantes, incluindo os situados em áreas comerciais ou shoppings, está restrito ao período de 6h às 17h para o atendimento presencial e entrega com a lotação máxima de 40% da capacidade do estabelecimento. Após este horário, só com o atendimento de entrega em domicílio. As atividades econômicas e comerciais, como shoppings e lojas de rua, passam a funcionar das 6h às 20h, também com lotação máxima de 40% da capacidade.

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Segundo o secretário, as ações para o Rio foram planejadas levando em consideração as experiências obtidas nas operações durante o carnaval.

Sanções

A multa individual para pessoas físicas, como nos casos de falta de máscara de proteção e aglomerações, passou de R$ 112,48 para R$ 562,42. Já para os estabelecimentos pode chegar a R$ 50 mil. 

“Na prática, existem tipos diferentes de multas de acordo com a irregularidade. Temos multas com relação à vigilância sanitária e multas com relação ao licenciamento de atividades econômicas, como alvará, por exemplo. Os fiscais de atividades econômicas poderão aplicar valores relativos a infrações sanitárias que são maiores”, disse secretário de Ordem Pública.

As sanções para o descumprimento das medidas incluem ainda a apreensão de mercadorias, produtos, bens, equipamentos e instrumentos musicais, entre outros, e também a interdição do estabelecimento e cassação de alvará de funcionamento.

Comunidades

Desde o carnaval, apesar de proibidas, várias festas foram realizadas em comunidades da cidade. Algumas terminaram com a prisão de participantes e até troca de tiros. O secretário garantiu que as ações serão feitas também nesses locais, mas a preocupação é com os riscos para a população. 

“Evidente que a gente não vai colocar ninguém em risco para fazer cumprir essas medidas. Isso vai depender de um planejamento operacional. O monitoramento e a troca de informações estão sendo feitos e a fiscalização vai acontecer”, assegurou.

Edição: Kleber Sampaio

Fonte: EBC Geral

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Covid-19 segue a crescer entre mais jovens e atinge população sem comorbidades

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Leitos de UTI e enfermaria para Covid-19 em hospitais do interior de SP (18.dez.2020) Foto: Reprodução/CNN

Aumento do número de hospitalizações nas faixas etárias de 30 a 59 anos superou a alta da taxa global em abril e deve continuar, segundo Fiocruz

As primeiras evidências de que há uma tendência de rejuvenescimento da pandemia no Brasil foram constatadas pelas três últimas edições do boletim Observatório Covid-19, elaboradas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O relatório divulgado no último dia 9 mostra que, entre as semanas epidemiológicas 1 (de 3 a 9 de janeiro de 2021) e 12 (de 21 a 27 de março), o crescimento das taxas de hospitalizações por Covid-19 em indivíduos das faixas etárias de 30 a 59 anos superou o aumento global, de 701,58%, que considera todas as idades, passando de 1.000% (veja quadro).

O documento ganhou uma atualização na última quarta-feira (14), apontando uma tendência de continuidade dos níveis elevados de novos casos e mortes no Brasil ao longo de abril. O primeiro boletim, divulgado em 26 de março e que disparou o alerta, já destacava que a Covid-19 se alastrava nas faixas etárias mais jovens.

Os boletins consideram os dados de hospitalizações por Covid-19 inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). “Eles são rotineiramente atualizados, com a correção de inconsistências e inclusão de notificações ainda não realizadas para aquela semana. Daí a variação de um boletim para o outro”, explica o pesquisador do Observatório Covid-19 Raphael Guimarães.

“O destaque desses levantamentos é o registro de que o aumento do número de casos de hospitalizações por Covid-19 nas faixas de 30 a 59 anos foi maior do que o aumento da taxa global. Isso caracteriza o rejuvenescimento da pandemia”, comenta. Segundo o especialista, é possível que o próximo boletim aponte números ainda mais altos entre pessoas abaixo de 60 anos.

Internações por Covid-19

Pacientes sem doenças prévias

“O relatório da Fiocruz mostra também uma tendência de crescimento de casos graves nessa população, o que coincide com o que a gente observa nos atendimentos”, diz o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu). “A impressão é de que a Covid-19 em 2021 é mais rápida, mais agressiva e leva a uma internação maior de pessoas mais novas”, analisa.

Por trás desse panorama, há uma confluência de fatores, segundo o médico sanitarista Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). Em primeiro lugar, o fato de que os jovens estão mais nas ruas, já que compõem boa parcela da população economicamente ativa.

“Eles saem para trabalhar, usam transporte público. Também não faltam relatos diários de flagrantes de festas que reúnem centenas de jovens, mesmo diante de fases mais restritivas de circulação”, afirma Vecina.

Além disso, ainda predomina nesse grupo o pensamento errôneo de que em pessoas jovens e sem comorbidades a doença irá se manifestar de forma mais leve, o que acaba funcionando como um passe livre para se expor, completa a infectologista Stefânia B. Prebianchi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Atuando no combate à Covid-19 na BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, a médica diz que tanto as enfermarias quanto as Unidades de Terapia Intensiva estão repletas de pacientes abaixo dos 60 anos e sem doenças prévias que foram rendidos pelo coronavírus.

De fato, segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), os jovens já são maioria nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil. O levantamento apontou que, em março, 52% das internações nas UTIs foram de pessoas com até 40 anos. O total desses pacientes que precisaram de ventilação mecânica atingiu 58,1%.

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Basta um descuido

Uma saída no último sábado de fevereiro teve consequências graves para a engenheira de produção Emily de Lima Barbosa, 32. Com casamento marcado para o segundo semestre, ela foi com duas amigas a uma loja para escolher um tapete a ser usado no espaço da festa.

Ela conta que tomava todos os cuidados e respeitava as medidas de proteção. Mas, nesse dia, resolveu tirar a máscara para interagir com as amigas no carro. “Comecei a me sentir mal na terça-feira, mas atribuí a uma indigestão, já que aconteceu logo depois do almoço. À noite fui ao hospital, porque a febre não baixava. O médico solicitou um teste para Covid-19, confirmada no sábado.”

No dia seguinte, Emily já não conseguia sair da cama. Ao chegar ao hospital, a quantidade de oxigênio na circulação estava muito baixa, e havia comprometimento do pulmão. Internada, ela passou dez dias na UTI, boa parte do tempo usando máscara de oxigenação e temendo ser intubada. Curada, Emily diz que ainda se sente ofegante em conversas mais longas e tem alguns lapsos de memória.

O papel das variantes do coronavírus

Relatos como o de Emily Barbosa levantam a discussão sobre a participação das variantes do coronavírus no novo perfil de pacientes de Covid-19. “Ainda não é possível afirmar que esse seja um determinante da gravidade dos quadros em jovens”, avalia Gonzalo Vecina Neto. “Mas a cepa de Manaus, a P.1, de fato acarreta uma carga viral maior, e por isso se dissemina mais rapidamente. Se tem muito mais casos, aumenta também o número de jovens afetados”, explica.

Achados preliminares de uma investigação feita na Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontam uma tendência de aumento de letalidade naquele estado quando a variante P.1do Sars-Cov-2 passou a circular.

Ao analisar dados de mais de 550 mil casos de Covid-19, com registro de mais de 8.800 mortes, os pesquisadores notaram que, entre setembro de 2020 e janeiro de 2021, houve uma redução nas taxas em todas as faixas etárias. A partir de fevereiro, quando surgiu a nova cepa, a mortalidade subiu, sobretudo na faixa dos 20 aos 59 anos.

No entanto, os especialistas dizem que ainda é cedo para decretar as mutações do vírus como culpadas pela gravidade da doença nos mais jovens. “Com certeza a P.1 é uma grande pedra no sapato”, diz Naime Barbosa. “Mas talvez seja só porque seja mais transmissível e não necessariamente mais patogênica. Muitos estudos ainda estão em andamento para analisar essa relação”, completa.

O infectologista lembra ainda que existem pessoas geneticamente mais suscetíveis a desenvolver quadros mais graves de Covid-19. Um estudo publicado na revista científica Nature, conduzido por cientistas do Instituto de Genética e Medicina Molecular e Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, é um dos que identificaram sequências do DNA associadas à predisposição de desenvolver formas críticas da doença.

Com as variantes se espalhando mais rapidamente e abrangendo uma população cada vez maior, a doença acaba chegando também a esses indivíduos mais suscetíveis. “Perdemos aqui no hospital pacientes de 21 e 26 anos, por exemplo. Podem ser casos aleatórios, mas, quando mais pessoas são infectadas, ocorrências como essas acabam disparando também”, argumenta o infectologista.

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Parecia só uma leve dor de garganta

Com ou sem as variantes do vírus, a Covid-19 vem mostrando que não faz distinção de idade. Professora do Ensino Fundamental em Uberlândia (MG), Izadora Sanchez Zanin, 36, reconhece que chegou a menosprezar a doença. “Por não ser do chamado grupo de risco, não ser sedentária, não fumar, não achei que sucumbiria se fosse infectada”, diz.

Por isso, quando começou a sentir dores de garganta, após um encontro com amigos, em outubro do ano passado, ela não se importou. Manteve a programação de viajar nos dias seguintes. “No quinto dia da viagem, senti falta de ar, voltei a Uberlândia e fui direto ao hospital. Já na triagem, soube que iria para a UTI. Foi um baque. Não pude falar com ninguém, nem explicar a situação para meus filhos”, conta.

Com um comprometimento de mais de 80% dos pulmões, a professora precisou ser sedada para poder ficar com a máscara de ventilação. “A impressão de sufocamento, de afogamento, era terrível. Foram dez dias hospitalizada.”

Em janeiro de 2021, Izadora já não sentia a fadiga que se manteve após a alta, mas percebeu que seus cabelos caíam aos tufos. “O dermatologista explicou que a inflamação do couro cabeludo era decorrente da infecção”, afirma. Já o check-up feito em março mostrou um acúmulo de ferro no sangue, outra possível sequela que precisa ser acompanhada.

Mais resistentes e mais tempo na UTI

Como uma dor de garganta se transforma num quadro tão grave como o de Izadora? “Os jovens têm uma reserva funcional dos órgãos muito maior que os idosos”, explica Stefânia Prebianchi.

“Com uma capacidade pulmonar maior, normalmente demora até sentirem os sintomas. Por isso acabam procurando o serviço médico numa fase mais avançada”, continua. Dessa forma, muitas vezes perdem uma janela importante para iniciar um suporte de oxigênio que poderia evitar o agravamento.

Essa mesma resistência, destaca a médica, justifica a extensão do período na UTI. É como um círculo vicioso: uma estadia maior nesses leitos leva a uma rotatividade menor de vagas – e consequentemente a mais tempo na fila de atendimento, causando pioras que exigem os cuidados de terapia intensiva.

Seria o caso de mudar a prioridade da vacinação?

De acordo com especialistas, para conter a alta de casos entre os mais jovens a receita é a de sempre e vale para todas as faixas etárias: isolamento, distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos. “Enquanto não houver vacina para todos, essa é a única saída”, diz Gonzalo Vecina.

Por ora, o entendimento é de que não há justificativa para mudar a fila de prioridades da vacinação. “Não há comprovação de que as novas cepas tenham predileção pelos mais jovens. A população que mais evolui a óbito e apresenta mais risco de sequelas ainda é a de mais idade”, justifica Stefânia Prebianchi.

Sendo assim, até que surjam novas evidências, esse grupo, seguido pelos que têm comorbidades, deve continuar sendo vacinado primeiro. “O que ajudaria seria acelerar a velocidade de imunização para chegar logo nos mais novos. Mas na prática, infelizmente, não é o que está acontecendo”, lamenta o infectologista Alexandre Naime.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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