JUSTIÇA

Gilmar Mendes vota para manter decreto que proíbe cultos religiosos  

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes votou hoje (7) para manter a validade do decreto do estado de São Paulo que proibiu a realização de cultos religiosos como medida de prevenção à disseminação da covid-19. Após o voto do ministro, único proferido na sessão, o julgamento foi suspenso e será retomado amanhã (8). Mais dez ministros devem votar sobre a questão. 

A Corte começou a julgar se mantém a decisão individual do ministro, que é relator do caso. Na segunda-feira (5), Mendes negou pedido do PSD para suspender o decreto. 

A decisão que será tomada também deve pacificar a questão. Em outra decisão, o ministro Nunes Marques atendeu ao pedido de liminar feito pela Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) e liberou a realização de cultos, desde que os protocolos sanitários sejam respeitados. 

Ao reafirmar sua manifestação, Gilmar Mendes votou a favor da validade do decreto por entender que a medida é temporária e necessária diante da pandemia de covid-19. Para o ministro, a liberdade de realização de cultos não é absoluta. 

“É possível afirmar que há um razoável consenso na comunidade científica no sentido de que os riscos de contaminação decorrentes de atividades religiosas coletivas são superiores ao de atividades econômicas, mesmo aquelas realizadas em ambientes fechados”, afirmou. 

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Durante o julgamento, a procuradoria do estado de São Paulo afirmou que o direito de culto é fundamental, mas o direito à vida deve ser preservado. São Paulo também argumentou que a proibição de cultos é medida é temporária para garantir o distanciamento social. 

AGU

O advogado-geral da União, André Mendonça, afirmou que a Constituição Federal não compactua com o fechamento absoluto de templos religiosos. Mendonça argumentou que o STF não deu um “cheque em branco” para governadores e prefeitos determinarem qualquer tipo de medida contra a covid-19. 

“Sabemos que o STF delegou aos estados o poder de estabelecer medidas restritivas às atividades da comunidade, mas até que ponto essa delegação foi um cheque em branco? O governador e o prefeito pode fazer qualquer medida sem sequer passar pelo Poder Legislativo local? Não existe controle? Não se tem que respeitar a proporcionalidade? Não se impedem medidas autoritárias e arbitrárias? Se autoriza rasgar a Constituição? Se autoriza prender um vendedor ambulante de água e espancá-lo no meio da rua, enquanto em grandes supermercados isso [venda] é feito legitimamente? Por que o pobre não pode vender bens de primeira necessidade?”, questionou o AGU. 

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Durante sua sustentação, André Mendonça também criticou medidas de toque de recolher adotadas por prefeitos e governadores. “Medida de toque de recolher é incompatível com o Estado Democrático de Direito. Não é medida de prevenção à doença, é medida de repressão própria de Estados totalitários”, afirmou. 

PGR

O procurador-geral da República, Augusto Aras, também defendeu o funcionamento de templos religiosos, desde que sejam respeitados os protocolos sanitários. Para o procurador, o estado é laico, mas as pessoas têm o direito de professarem sua fé. 

“A Constituição Federal, ao dispor sobre a liberdade religiosa, assegura o livre exercício dos cultos religiosos e proteção, na forma da lei. Dessa forma, decretos ou atos meramente administrativos, ainda que decorrentes de uma lei ordinária, podem ter força para subtração de direitos fundamentais postos na lei maior? Parece que não”, afirmou Aras. 

Edição: Fábio Massalli

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JUSTIÇA

Vereador Jairinho é investigado por agressão e tortura a três crianças

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Prisão do vereador Dr. Jairinho no Caso Henry Borel Foto: FotoArena/Estadão Conteúdo

Depoimentos de ex-namoradas e testemunhas levantam indícios de violência e ameaças contra filhos de companheiras

Suspeito da morte do enteado Henry Borel, o vereador do Rio de Janeiro, Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho (sem partido), é investigado por agressão e tortura a outras duas crianças, filhas de ex-namoradas.

Os fatos são apurados pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) e 16ª Delegacia da Barra da Tijuca a partir de depoimentos prestados à Polícia Civil, cujos conteúdos a CNN teve acesso na íntegra.

O mais recente deles, nessa sexta-feira (16), foi de uma ex-namorada, com quem Jairinho teve um relacionamento por seis anos. À Polícia Civil, a mulher contou que, na última terça-feira (13), soube pelo filho – hoje com oito anos – que ele teria sido agredido por Jairinho quando tinha 3 anos incompletos.

Segundo o relato do menino, “Jairinho colocou um papel e um pano na boca dele” e “disse que ele não poderia engolir”. Em seguida, o vereador teria deitado a criança no sofá da sala, momento em que “ficou em pé no sofá e apoiou todo o peso do corpo no menino com pé”.

A criança contou à mãe que, em determinado momento, conseguiu fugir e tentou acordá-la, mas ela não se mexia. A mulher relatou indícios de que pode ter sido dopada.

O episódio de violência ainda teria continuado. Jairinho teria alcançado o menino e levado até o estacionamento. Dentro de um carro, “colocou um saco plástico” na cabeça da criança e teria ficado dando voltas de carro.

Em depoimento nessa sexta-feira (16), a ex-namorada também relatou o que pode ter sido um segundo episódio de violência contra a criança. Em 2015, Jairinho saiu com o filho dela para levá-lo a uma casa de festas. Pouco tempo depois, o vereador teria ligado dizendo que o menino machucou o joelho.

No médico, o diagnóstico foi de fêmur quebrado. À polícia, a mãe disse que estranhou o fato do filho “não ter chorado em nenhum momento”, mesmo “amuadinho”.

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No primeiro depoimento, em 22 de março, a ex-namorada havia negado agressões físicas de Jairinho e relatado apenas brigas entre o casal. Já nesse dia 16 de abril, ela mudou a versão e disse que omitiu os fatos por medo de Jairinho. O vereador também a teria agredido várias vezes desde o segundo ano de relacionamento entre os dois.

Afogamento em investigação

A primeira denúncia de agressão contra criança após a morte de Henry Borel surgiu de outra ex-namorada de Jairinho, uma dona de casa de 31 anos. Em um depoimento à Polícia Civil, a mulher contou que, certa vez, Jairinho levou a filha dela de três anos a um lugar “onde havia uma cama e uma piscina e que neste lugar afundava sua cabeça embaixo d’água”.

O relato da dona de casa também traz suspeita dela ter sido dopada, assim como a ex-namorada ouvida nessa sexta-feira (16). Em uma ocasião, a mulher contou que Jairinho deu um comprimido para que ela dormisse, mas decidiu não tomar e teria flagrado o vereador segurando a filha “pelos braços, enquanto estava em pé no sofá”.

A mãe ainda conta que a filha – hoje com 13 anos – sempre chorava ao ver Jairinho. De início, ela pensou se tratar de ciúmes. Mas depois “viu que a resistência dela se tornou mais séria, sendo que [a criança] chorava muito e chegada a vomitar de tanto nervoso.”

Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março
Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março; padrasto e mãe falam em acidente, mas polícia investiga agressão
Foto: Reprodução/Instagram

 

Inquérito sobre a morte de Henry deve ser finalizado em dez dias

O vereador Jairo Souza Santos Junior ainda é investigado pela morte de Henry Borel, no dia 8 de março. A perícia descartou uma morte acidental e apontou 23 lesões no corpo da criança, causadas por “ação violenta”.

Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro também apontam mudanças no comportamento de Henry com Jairinho. Horas antes da morte da criança, a mãe Monique Medeiros declarou, em depoimento, que o filho estava muito nervoso no momento em que o pai Leniel Borel o levou para a casa onde morava com o vereador.

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Segundo o relato, Henry chorava muito e chegou a vomitar. No entanto, Monique garantiu que o parlamentar e o filho tinham uma boa relação.

Já depoimentos colhidos na investigação levantam indícios de agressões. A babá que cuidava de Henry afirmou ter mentido no primeiro testemunho e relatou três supostos episódios de violência contra o menino de quatro anos por Jairinho. No segundo deles, o caso teria sido revelado à mãe pelo próprio filho em videochamada.

“Henry falou à declarante que Jairinho tinha dado uma ‘banda’ nele e chutado; que quanto ao “toda vez faz isso”, a declarante afirma que Henryque relatou isso para ela, ou seja, que Jairinho sempre fazia isso com ele; que Henry também relatou à declarante que Jairinho falou que ‘não podia contar’, que ‘ele perturba a mãe dele’, que ‘tinha que obedecer ele’, que ‘se não ia pegar ele’”, descreve o depoimento.

O relato é corroborado pelo depoimento da cabeleireira que estava junto a Monique quando ela recebeu a chamada de vídeo de Henry. De acordo com informações prestadas pela mulher à polícia, o fato teria causado uma briga entre Monique e Jairinho pelo telefone.

A testemunha lembra de Monique ter dito: “quebra, pode quebrar tudo mesmo, você já está acostumado a fazer isso”. Após a discussão, a mãe de Henry teria perguntado onde poderia comprar uma câmera no shopping em que fica o salão de beleza.

As denúncias de agressão e tortura a crianças são investigadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. A CNN tenta localizar os novos advogados do vereador Jairo Santos Souza Junior para buscar um posicionamento sobre os depoimentos.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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