Justiça
O CRIME TEM ADVOGADO NO STF: Gilmar suspende investigações do MPF sobre supostos desvios no Sistema S
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu as investigações realizadas pelo MPF-RJ (Ministério Público Federal no Rio de Janeiro) no âmbito da operação E$quema S, realizada em 9 de setembro, que apura supostos desvios no Sistema S.
A decisão (íntegra – 232 KB) atendeu a reclamação movida pelos Conselhos Seccionais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Distrito Federal, de São Paulo, de Alagoas e do Rio de Janeiro contra autorização do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Gilmar Mendes suspendeu medidas como ação penal sobre o caso, buscas e apreensões em escritórios de advogados e medidas cautelares contra eles –como quebra de sigilos.
“Os autos desta reclamação demonstram que há verossimilhança nas alegações do reclamante de investigação de autoridades com foro por prerrogativa de função sem autorização do STF e perante autoridade judiciária incompetente, o que poderia constituir eventual causa de nulidade das provas e do processo”, afirmou o ministro.
Mendes determinou ainda que a 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro não realize nenhum ato de investigação sobre fatos direta ou indiretamente relacionados ao caso, sob risco de nulidade.
A operação é 1 desdobramento da Lava Jato. Teve como alvos advogados suspeitos de envolvimento em 1 esquema de tráfico de influência que, segundo o Ministério Público Federal, desviou R$ 151 milhões das instituições do Sistema S no Rio de Janeiro e da Fecomércio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro).
As investigações como base informações do acordo de delação premiada do ex-presidente destas instituições, Orlando Diniz.
Foram alvos da operação: Frederick Wassef, que representou a família do presidente Jair Bolsonaro; Cristiano Zanin e Roberto Teixeira, advogados do ex-presidente Lula; Ana Tereza Basílio, da defesa do governador afastado Wilson Witzel. Lula, Witzel e Martins não são investigados nesta operação.
A operação foi realizada em paralelo a uma denúncia (íntegra – 33MB) do MPF-RJ contra 26 pessoas por 43 fatos criminosos, incluindo organização criminosa, estelionato, corrupção (ativa e passiva), peculato, tráfico de influência e exploração de prestígio.
Os procuradores apontaram a existência de uma organização integrada essencialmente por advogados “mancomunados” para desviar, em benefício próprio e de terceiros, valores milionários da Fecomércio, do Senac e do Sesc do Rio de Janeiro.
Segundo o MPF-RJ, a operação investiga o desvio de R$ 355 milhões, mas deste valor, há indícios de que, de 2012 a 2018, pelo menos R$ 151 milhões teriam sido desviados em esquema no Rio, liderado por Orlando Diniz. A maior parte foi referente aos valores mensalmente repassados pela Receita Federal ao Senac e ao Sesc em decorrência de contribuição social compulsória incidente sobre a folha salarial dos empresários do comércio.
OUTRO LADO
Eis o que dizem os alvos da operação sobre a decisão de Gilmar Mendes:
Frederick Wassef:
“Não tive acesso à decisão do STF, o que impede a minha manifestação. Mas afirmo que estão criminalizando a advocacia no Brasil. Nunca fui contratado da Fecomércio e não recebi qualquer valor desta entidade. Fui contratado por um renomado escritório de advocacia criminal de SP e prestei os serviços. Nunca fui intimado ou convocado a prestar esclarecimentos às autoridades do RJ que optaram em oferecer uma denuncia sem me ouvir, que narra apenas recebimentos de honorários advocatícios por serviços prestados a um escritório de SP, o que é uma relação privada entre advogados. Uma injustiça e ilegalidade que causa dano grave a imagem e reputação.”
Cristiano Zanin:
“Essa decisão recupera a dignidade da advocacia que atua e contesta, cumprindo o papel que a Constituição da República lhe assegura. Os malabarismos que esses agentes da ‘Lava Jato’ fizeram para tentar transformar uma relação privada e lícita em suspeita segue o mesmo receituário do lawfare que há tempos denunciamos.”
Roberto Teixeira:
“A decisão é compatível com uma atuação lícita e ética, tal como sempre agi em 50 anos do exercício da advocacia privada.”
Ana Tereza Basílio:
“O escritório Basílio Advogados atuou entre 2013 e 2017 em mais de 50 processos da Fecomércio, tanto na Justiça Estadual como na Justiça Federal, fato que foi confirmado por auditoria externa e independente . Todos os nossos advogados trabalham de forma ética e dentro da legalidade. O escritório confia na Justiça e está à disposição para qualquer esclarecimento.”
Fonte: msn notícias
JUSTIÇA
Justiça de MT não cumpre reintegração de posse há 19 anos e gera prejuízo milionário
A demora de quase duas décadas no cumprimento de uma decisão judicial de reintegração de posse da Fazenda Poconé, em Querência (945 km de Cuiabá), segundo a defesa, teria causado prejuízo na ordem de R$ 500 milhões referente a lucros cessante do Espólio de Itagiba Carvalho Diniz.
O caso vem gerando denúncias no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dentro do próprio Tribunal de Justiça, para apurar a conduta do juiz e diretor da Comarca, Thalles Nóbrega Miranda Rezende de Britto, e da secretaria da Vara Única de Querência-MT, que é responsável pela ação.
A matéria voltará à pauta da Corte no próximo dia 29 de julho, quando os desembargadores analisarão mais de dez incidentes processuais que, conforme o espólio, ainda impedem a conclusão da fase de execução e a restituição integral da propriedade.
“Embora a sentença que reconheceu o direito possessório do espólio tenha transitado em julgado em 2007 e uma segunda sentença tenha definido os limites da fazenda após extensa produção de provas e perícias técnicas que se prolongou por quase 30 anos, a maior parte da área permanece fora da posse dos proprietários”, sustentam os advogados.
Levantamentos técnicos anexados ao processo indicam que a Fazenda Poconé possui 7.237 hectares, dos quais aproximadamente 3.921 hectares são agricultáveis.
Desse total, apenas 604 hectares estariam atualmente sob posse direta do espólio. Outros 3.317 hectares permanecem pendentes de restituição e continuam sendo explorados economicamente por terceiros, segundo a petição.
O espólio afirma que cerca de 1.653 hectares de lavouras seguem sendo cultivados por empresas e produtores que figuram na própria ação judicial, enquanto outros ocupantes apresentaram embargos de terceiro para tentar impedir ou retardar o cumprimento das decisões judiciais.
Para os proprietários, a demora na execução permitiu que a área permanecesse produzindo riqueza por mais de 20 anos, apesar da existência de decisões judiciais favoráveis ao espólio.
Compromisso firmado antes da disputa
Um dos documentos anexados aos autos, revela um ‘Termo de Compromisso’, firmado em 5 de maio de 1997 pelos então proprietários das áreas envolvidas na futura ação demarcatória.
No documento, os signatários assumiram o compromisso de preservar a situação existente até a definição técnica dos limites das propriedades. O texto estabelece que eles se obrigavam a “não realizar alteração alguma e expansão das respectivas posses atuais enquanto não se proceder o levantamento topográfico que as delimite e as caracterize segundo a titulação legítima”, prevendo que a demarcação seria realizada “por meio judicial ou amigável”.
O compromisso também registra que “a atual localização das posses não representa em definitivo a coerência destas com os respectivos títulos de domínio que cada um detém” e determina que o grupo tinha a obrigação de “promover a demarcatória a fim de definir a propriedade e em consequência a posse”.
Na avaliação do espólio, o documento demonstra que os próprios signatários concordaram em submeter a definição dos limites ao resultado da futura demarcação judicial, comprometendo-se a respeitar a solução técnica do conflito.
Patrimônio continua produzindo riqueza
Enquanto a execução permanece pendente, a atividade agrícola continua em ritmo intenso na região. Segundo o relatório consolidado de capacidade financeira que A Gazeta teve acesso, diversos ocupantes ou pessoas ligadas às áreas em disputa possuem patrimônio rural expressivo, empresas e participações societárias relevantes.
Entre eles está a Indústria e Comércio de Máquinas Agrícolas Mantovani Ltda., empresa com capital social de R$ 3 milhões e proprietária da Fazenda Paraíso, em Ribeirão Cascalheira, com mais de 2.400 hectares.
O relatório também aponta que Benildo Carvalho Teles possui patrimônio rural no Pará, participação na AgroGalaxy, da qual alienou ações em operação superior a R$ 31 milhões, além de integrar empresas do agronegócio com capital superior a R$ 15 milhões.
Outro é Claudio Augusto Diniz, proprietário de fazendas em Mato Grosso e Goiás, sócio de empresas rurais e credor da recuperação judicial do Grupo AgroGalaxy em mais de R$ 3,2 milhões.
O levantamento ainda relaciona a JMSW Agropecuária Ltda., empresa voltada ao cultivo de soja com capital social de R$ 17,6 milhões e proprietária de fazenda superior a 7 mil hectares em Querência.
Também aparecem produtores rurais e empresários como Leandro De Conti, Adalberto Backes, Carlos Caneppele, Gelson Caneppele, Sérgio Caneppele, Ivanete Lurdes Caneppele, Leandro Caneppele, Fernando Passinatto, José Adelar Jaenisch, além das empresas AGL Administradora e Participações Ltda. e MPS Empreendimentos Imobiliários Ltda., todos descritos como proprietários de imóveis rurais, beneficiários de financiamentos públicos ou integrantes de grupos empresariais ligados ao agronegócio.
O relatório atribui a esse conjunto de pessoas físicas e jurídicas patrimônio imobiliário rural, empresas e ativos considerados de elevada expressão econômica.
Julgamento
O espólio sustenta que a controvérsia deixou de ser sobre quem é o proprietário da Fazenda Poconé. Segundo os advogados, a discussão atual restringe-se ao cumprimento de decisão já transitada em julgado e à retirada dos ocupantes remanescentes.
A expectativa é que o julgamento marcado para 29 de julho pelo TJMT destrave a fase de execução e permita a efetiva restituição da área, encerrando um litígio que se arrasta há quase duas décadas e que, segundo o espólio, gerou perdas patrimoniais estimadas em aproximadamente R$ 500 milhões em razão da exploração agrícola contínua da fazenda.
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