Saúde
Soro anticovid com anticorpos de cavalo pode ficar pronto junto com vacina
O desenvolvimento de um soro anticovid-19 tem tido resultados promissores, afirma o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. Em entrevista à CNN neste sábado (19), ele fala sobre o processo, como andam os testes e quais devem ser os próximos passos na produção.
“É um soro produzido em cavalos para combater o coronavírus. Começamos o desenvolvimento desse soro em maio e estamos em uma fase adiantada da pesquisa. Dez cavalos já foram imunizados, receberam o coronavírus desativado e responderam bem. Eles tiveram uma resposta imunológica poderosa, produziram anticorpos que funcionaram em testes preliminares em camundongos, em laboratório”, comemora.
“Agora vamos para a próxima fase, que é a produção. Esses cavalos fornecerão o plasma e faremos os primeiros lotes do soro para aí sim fazer o teste clínico, testar a segurança e eficácia em pessoas. Podemos tirar de cada cavalo até 12 litros de plasma por sessão. Isso permite a obtenção de muita matéria-prima, e esses litros são purificados e transformados neste remédio, no soro”, explica.
Covas acredita que o processo se conclua até o fim do ano. “Isso depende da aprovação da Anvisa, tanto a produção do soro em si quanto o teste clínico, que é feito em pessoas já infectadas com Covid-19 e que estão internadas. O teste permite saber se o soro diminui a gravidade e complicações da doença. As pessoas infectadas de forma mais graves são as candidatas naturais”.
Vacina x Soro
O diretor do Butantan comentou também a diferença do soro para a vacina que também está em fase de testes. “As populações são diferentes, a vacina é preventiva, e o soro é curativo”. No entanto, ambas podem ficar prontas simultaneamente.
“A vacina é um longo processo de desenvolvimento. No caso específico da vacina que desenvolvemos, houve rapidez relativa devido à experiência anterior com outro coronavírus, que era o Sars. A Sinovac já tinha trabalhado nessa vacina contra o Sars e, quando apareceu o novo coronavírus, ela simplesmente adaptou, o que permitiu entrar rapidamente em estudos clínicos. Pretendemos tê-la até o final deste ano e pode acontecer de seu uso vir em janeiro, podendo coincidir também com a disponibilidade do soro”, projeta.
Fonte: cnnbrasil.com.br
Agronegócio
A Retomada do Pragmatismo: Um Novo Capítulo para o Brasil e o Agronegócio
A recente conversa entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump representa um marco de maturidade e pragmatismo em nossa política externa. Em um mundo cada vez mais polarizado, onde as trincheiras ideológicas muitas vezes se sobrepõem aos interesses nacionais, a retomada do diálogo entre as duas maiores democracias do Ocidente é uma notícia a ser celebrada por todos que torcem pelo Brasil.
Como produtor rural e homem público que dedicou a vida a defender os interesses do agronegócio brasileiro, vejo com grande otimismo este novo capítulo. A conversa, descrita por ambos os lados como “muito boa” e “amistosa”, vai muito além de um simples gesto diplomático. Ela sinaliza que, acima das diferenças políticas, há um entendimento de que a cooperação e o comércio são os verdadeiros motores do desenvolvimento.
O Pragmatismo como Norte
Durante anos, defendi que a política externa brasileira deve ser guiada por um pragmatismo responsável, focado em resultados concretos para o nosso povo e para o nosso setor produtivo. A ideologia, seja de que matiz for, não pode ser um entrave para a prosperidade.
Lembro-me bem dos períodos em que, como ministro da Agricultura, trabalhamos para abrir mercados e fortalecer nossas exportações. Foi com diálogo e seriedade que o agronegócio brasileiro conquistou o mundo. A conversa entre os presidentes resgata essa tradição, mostrando que o Brasil voltou a ser um ator respeitado no cenário global, capaz de dialogar com todos os grandes players internacionais.
O Fim do Tarifaço: Uma Vitória para o Agro
O ponto central da conversa, e o que mais interessa ao nosso agronegócio, foi a discussão sobre o fim do tarifaço de 40% Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiê
imposto aos produtos brasileiros. Esta medida, que tanto prejudicou nossos exportadores, foi um erro que agora temos a oportunidade de corrigir. O pedido direto do presidente Lula para a remoção dessas barreiras, e a receptividade de Trump, que admitiu que os Estados Unidos “sentem falta” de produtos como o nosso café, são sinais extremamente positivos.
A Lição para os Extremos
A repercussão da conversa nas redes sociais e na imprensa demonstra que a maioria da população brasileira e o setor produtivo estão cansados da polarização estéril. Enquanto uma minoria radical, tanto à direita quanto à esquerda, busca o confronto permanente, a maioria silenciosa anseia por estabilidade, previsibilidade e prosperidade. A tentativa de alguns setores de sabotar as relações entre Brasil e Estados Unidos, apostando no isolamento e nas sanções, está longe de ser o melhor caminho. A diplomacia, exercida com maturidade e foco nos interesses nacionais, deve prevalecer. A designação do secretário Marco Rubio para conduzir as negociações, embora vista com desconfiança por alguns, deve ser encarada como um sinal de profissionalismo. Caberá à nossa equipe de negociadores, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, demonstrar com fatos e dados a importância de nossa parceria.
Um Futuro de Oportunidades
O Brasil é um gigante do agronegócio, com capacidade para alimentar o mundo de forma sustentável e competitiva. A retomada do diálogo com os Estados Unidos, nosso parceiro histórico, abre um horizonte de novas oportunidades. Não se trata de submissão ou alinhamento ideológico, mas de uma relação madura entre duas nações soberanas que se respeitam e reconhecem a importância mútua. Como homem do campo, sei que a semente do diálogo, quando plantada em solo fértil, gera colheitas abundantes. A conversa entre Lula e Trump foi essa semente. Cabe a nós, agora, regar essa planta com seriedade, trabalho e um profundo senso de patriotismo, para que possamos colher os frutos de uma parceria renovada, que trará mais empregos, mais renda e mais desenvolvimento para o nosso Brasil.
Neri Geller é produtor rural, empresário e político brasileiro e Ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
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