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“MT é um Estado equilibrado, que investe e honra compromissos”, diz governador

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Quem olhar para trás e lembrar da situação de Mato Grosso há pouco menos de três anos pode, hoje, considerar que vive em outro Estado. Crise econômica e fiscal, salários atrasados, dívidas de R$ 3,5 bilhões com fornecedores, máquina inchada e sem capacidade de investimento… Essas eram apenas algumas das mazelas que assolavam Mato Grosso.

Quase três anos após o início da sua gestão, o governador Mauro Mendes (DEM) comanda uma máquina “azeitada”, mais leve e com investimentos pesados nas áreas estratégicas.

Ele afirma que o novo cenário só é realidade por causa das duras decisões administrativas e fiscais tomadas desde o início da gestão.

Além de um programa agressivo de investimentos, Mendes – em meio a uma crise generalizada no país – surpreendeu com o anúncio “histórico” de cortes de impostos da ordem de R$ 1,2 bilhão, nas áreas de combustíveis, energia e transportes, entre outros.

“Hoje, os números já mostram um Estado equilibrado, que há quase paga os salários em dia, paga fornecedores em dia, honra seus compromissos e realiza o maior programa de investimentos de sua história – e um dos maiores do Brasil”, disse.

“Já é um Estado muito melhor. E é assim que eu quero chegar ao final de 2022”, acrescentou.

Em entrevista ao MidiaNews, Mendes ainda falou sobre a polêmica da alta do preço dos combustíveis, rebateu críticos, analisou o cenário desenhado até o momento para as eleições de 2022 e falou sobre a relação que mantém com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“É uma relação profissional, sem muito ‘beijinho, beijinho’, mas também nunca fui de ficar criando aresta, fazendo crítica desnecessária ou criando confusões”, disse.

Confira os principais trechos da entrevista: 

MidiaNews – Mato Grosso vive um momento singular em relação ao seu desenvolvimento, sobretudo num comparativo com a situação de outros estados e do próprio país, que está em crise. Como o senhor analisa este momento?

Mauro Mendes – O Estado do Mato Grosso vive, sem dúvida alguma, um momento muito positivo. O Estado, a economia privada, diversos setores, estão performando muito bem. A partir de 2019 quando assumimos o Governo, tomamos uma série de medidas para consertar o Estado, para fazer com que o poder público pudesse ficar mais eficiente, gastar com mais qualidade, economizar dentro da máquina e fazer sobrar dinheiro para, primeiro, pagar as enormes contas atrasadas que tínhamos; segundo, colocar essas contas em dia, salários em dia, e após isso fazer um importante programa de investimentos que está em curso.

Então, é um momento, sem dúvida, muito especial, e tenho muito orgulho do meu Estado e de todos nós que estamos construindo essa bela história.

MidiaNews – Quais ações e obras de sua gestão destacaria como sendo estratégicos?

Mauro Mendes – Tem muita coisa importante acontecendo no Estado do Mato Grosso. A ferrovia é muito importante, é estratégica para Cuiabá, para a região médio-norte, para o agronegócio, para a competitividade da indústria e para a geração de emprego e qualidade de vida do povo mato-grossense.

O programa de rodovias, de pontes, que vai garantir esta logística, que não serve apenas para transporte de produtos, mas também para o ir e vir das pessoas. Estratégico também é investir na Segurança Pública, igual estamos investindo, construindo mais de 4 mil vagas em presídios, investindo em equipamentos, investir em tecnologia em diversas áreas do setor.

Mas também é muito estratégico investir em educação. Estamos construindo escolas, reformando, colocando ar-condicionado, comprando computadores e distribuindo para os professores, investindo em tecnologia da área pedagógica, para que o ensino alcance o patamar muito distante daquele que estamos hoje.

Também é estratégico investir em saúde, porque as pessoas precisam da saúde pública. Então, estamos construindo dois hospitais nesse momento, até o final do ano licitaremos mais quatro, estamos reformando as nossas unidades e agora temos um grande programa de cirurgias.

Assim como é estratégico investir na agricultura familiar. Então, todos os investimentos são importantes, cada um na sua área, cada um no seu segmento, mas todos atendem fortemente a população.

MidiaNews – A arrecadação do Estado está indo muito bem e batendo recordes, sobretudo na arrecadação de ICMS. O senhor está satisfeito?

Mauro Mendes – Estou satisfeito, porque o Estado está performando bem, com um bom nível de arrecadação. Mas muito mais satisfeito estou porque estamos conseguindo devolver ao cidadão, em forma de serviços, aquilo que todos pagamos em forma de impostos.

MidiaNews – Essa boa situação econômica atribuiria às medidas tomadas no início da gestão?

Mauro Mendes – É um conjunto de fatores. Nada acontece de bom e ruim por causa de uma única coisa. Às vezes, as pessoas atribuem o sucesso de alguém à sorte, que é algo simples para explicar, mas é difícil entender o que fizemos para que pudéssemos chegar aqui. É um conjunto de medidas no campo da melhoria da receita e no campo também do corte de despesas.

Porque a receita de todo mundo aumentou. Do Estado, das prefeituras. E vejo dezenas de prefeituras que estão bem, com as contas em dia, fazendo obras e investimentos. E conheço prefeitura que está pagando cinco, seis meses em atraso, que está fazendo muito pouco, onde a despesa aumentou e a receita aumentou também. Portanto, o que vale é a qualidade do gasto, a competência do gestor e também a honestidade.

MidiaNews – O senhor citou as diversas obras em andamento. Qual a previsão de investimentos para o ano que vem?

Mauro Mendes – O orçamento de 2022 já foi entregue à Assembleia Legislativa e lá está previsto manter o mesmo ritmo de investimento deste ano, ou seja, estamos fechando este ano com 15% do orçamento voltado para investimentos, embora prevíamos em torno de 11% no orçamento do ano passado. Então, vamos partir o ano já com a previsão de investir, em 2022, os mesmos 15%. Seguramente, é o maior investimento público no Brasil.

MidiaNews – Quais os gargalos do Estado em termos de infraestrutura?

Mauro Mendes – Precisamos complementar a nossa malha logística, fazer o asfalto e ligar todos os municípios, fazer algumas pontes importantes como a do Rio das Mortes, que vamos entregar o ano que vem, como a do Rio Juruena, que queremos lançar a licitação no final deste ano ou no início do ano. É uma ponte de 1.400 metros, uma das maiores do Brasil, que vai interligar a região norte com a região noroeste do Estado.

Ainda temos gargalos importantes a serem vencidos e por isso que esse programa de investimento é necessário. A BR-174, que é do Governo Federal e que não está conseguindo asfaltar, nós pedimos de volta para o Governo do Estado. Olha que fenômeno isso. Foi uma luta de muitos e muitos anos pra tornar aquela estrada uma rodovia federal, mas não se conseguiu avançar [na pavimentação].

Então, nós já pedimos de volta para o Governo do Estado e vamos, se Deus quiser, tendo essa devolução por parte do Governo Federal, criar as condições para que o ano que vem nós tenhamos obra ali e possamos ligar toda aquela região que está abandonada ali, sem ligação por asfalto.

MidiaNews – Uma obra que foi muito comentada é o projeto de construção de um autódromo em Cuiabá? Como está essa obra?

Mauro Mendes – Não estamos fazendo só um autódromo. No mês de novembro vamos fazer o lançamento oficial desse projeto. Eu não gosto de falar só de ideias. Já existem algumas ações no local, já existe licenciamento ambiental, estamos desenvolvendo algumas atividades lá dentro. Lá vai se chamar Parque Novo Mato Grosso. É uma área de 300 hectares e será um dos maiores e melhores parques do Brasil. E o autódromo é um dos equipamentos que vai existir dentro deste parque.

MidiaNews – O senhor comentou há pouco sobre a importância da ferrovia estadual. Vê essa obra como o grande legado da sua gestão?

Mauro Mendes – A ferrovia é muito importante, porque traz competitividade, traz uma expectativa nova para o desenvolvimento da indústria do Estado do Mato Grosso, melhora o custo de logística das indústrias, do comércio… Então, tem um papel preponderante para o presente e futuro.

Mas uma parte do Estado não vai ser impactada diretamente pela ferrovia. Então, o Estado tem que ter essa capacidade de olhar para os 141 municípios, para todas as regiões e para todos os desejos e expectativas que o cidadão tem e de alguma forma atender.

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Fazer um hospital no Araguaia é muito importante, talvez seja a mais importante para quem mora naquela região, porque lá eles andam mais de mil quilômetros para chegar até um hospital regional. Fazer um hospital lá na cidade de Juína também é muito importante, porque eles andam 400 km, 600 km para chegar em um hospital. Fazer uma ponte lá no Rio das Mortes é extremamente importante para o desenvolvimento econômico.

Então, cada ação do Governo para cada região tem a sua importância. E a importância não se dá pelo tamanho da obra, mas pelo impacto que tem na vida das pessoas.

MidiaNews – O presidente da Aprosoja, Fernando Cadore, falou recentemente sobre a importância da implantação da Ferrovia Estadual, mas citou sobre a necessidade das outras ferrovias saírem do papel e serem assumidas por empresas concorrentes a Rumo Logística. Segundo ele, sem concorrência, o frete ferroviário pode assumir o preço de caminhões. O senhor concorda com esse posicionamento?

Mauro Mendes – Concordo plenamente. Isso cabe ao Governo Federal e espero que acelere esse processo. E o que o Governo Federal precisar da nossa parceria, do nosso apoio, da nossa ajuda, estou pronto para fazer. Agora, temos que fazer. Tem que sair do plano da conversa e ir para o plano da ação. Não dá para ficar falando que vai fazer e as coisas não acontecerem. A ferrovia estadual está aí, é uma realidade. Vamos tornar as outras realidade também, mas depende do Governo Federal.

MidiaNews – Como vê a proposta do presidente da Câmara Arthur Lira de estabelecer uma cota única para o ICMS dos combustíveis, baseada no preço médio dos últimos dois anos?

Mauro Mendes – Eu concordo com ele, desde que faça a mesma coisa com o preço médio da Petrobras. Abaixa o ICMS e abaixa o preço médio da Petrobras. Se ele fizer as duas coisas, vou aplaudi-lo.

MidiaNews – Se aprovado, isso poderia penalizar a sua gestão?

Mauro Mendes – Isso penaliza a administração pública do país, porque vai ter Estado que não vai conseguir pagar as contas. Mato Grosso, graças a Deus, está em uma situação melhor do que a maioria dos estados brasileiros. Medidas importantes não podem ser tomadas assim de forma precipitada, com viés eleitoral ou com discussão superficial.

O problema do combustível tem que ser atacado na origem. O combustível está caro no Brasil, porque a Petrobras está arrancando o couro dos brasileiros, aumentando todos os meses o preço do combustível. Pela primeira vez na história, pelo o que eu conheço, sobe o dólar, sobe o preço do combustível. Sobe o barril, sobe o preço do combustível.

Nunca antes foi feita uma política tão dura com os brasileiros, como a Petrobras está fazendo nesse momento e dando um lucro gigantesco. Só em três meses foram R$ 43 bilhões. E esse lucro da Petrobras vai 40% para as mãos de gringos, 40% para as mãos do Governo Federal e 20% vai para as mãos de investidores brasileiros que têm ações da Petrobras.

MidiaNews – O secretário de Fazenda, Rogério Gallo, chegou a defender a criação de um fundo para estabilizar os preços dos combustíveis, em especial do diesel e gasolina, usando recursos da União. Acha essa ideia possível?

Mauro Mendes – Existem muitas ideias e todas precisam ser muito bem analisadas, para que ninguém tome qualquer decisão precipitadamente. Nós aqui, quando resolvemos cortar os nossos impostos, iniciamos os estudos no mês de maio. Tive muita cautela, muita paciência, aguentei muita conversinha fiada de adversários nas redes sociais, de críticas, mas só tomei essa decisão quando a gente tinha a segurança de que poderia fazer sem comprometer a qualidade dos serviços.

MidiaNews – Acha que, no campo da comunicação, a população entende que a culpa pela alta no preço dos combustíveis não é do Governo do Estado?

Mauro Mendes – A comunicação hoje no Brasil, e talvez no mundo, está um pouco confusa, extremamente poluída por mentiras, fake news, por pessoas que constroem uma rede baseada em fatos que não são verdadeiros. E isso é muito ruim, mas dizem que notícia ruim circula nas redes sociais mais rápido e as verdades vão a passo de tartaruga. Por isso fake news ganha uma repercussão muito forte enquanto que verdades você tem que se esforçar muito para reproduzir e fazer com que as pessoas reconheçam. Mas no médio e longo prazo, nenhuma mentira vai parar de pé.

MidiaNews – O senhor encaminhou a Lei Orçamentária Anual para a Assembleia prevendo o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores fixada em 6,05%. Há alguma chance de aumentar esse índice, como pedem os servidores e alguns parlamentares?

Mauro Mendes – Nós temos que trabalhar com responsabilidade e evitar que Mato Grosso volte a viver a triste realidade que viveu ali em 2017, 2018, e no início do meu mandato também. Atrasando salários, atrasando fornecedores, paralisando quase 500 obras. Isso é muito triste, porque o cidadão é quem paga essa conta. Você paga imposto para ver um Estado só gastando dentro de si? Não, tenho certeza que não.

Portanto, podemos sim fazer qualquer nível de melhoria, mas com responsabilidade. E o parâmetro para isso chama-se Lei de Responsabilidade Fiscal, que precisa ser cumprida e lá tem um limite que o Estado pode gastar com o pessoal. Por isso, digo aqui todos os dias para os meus colegas servidores: vamos tornar esse Estado mais eficiente, vamos fazer mais com menos gente. Porque quanto mais gente colocar aqui para dentro, mais a gente aumenta a despesa de pessoal e mais dificulta para continuar dando garantias importantes para todos eles.

Eu sou favorável a elas, nunca neguei isso, porém isso tem que acontecer com responsabilidade, com a ajuda de todos.

MidiaNews – Acha que falta compreensão por parte de quem faz essa cobrança?

Mauro Mendes – Olha, é difícil fazer essa análise, mas a gente vive um momento pré-eleitoral. É natural que o deputado queira agradar suas bases. Isso faz parte da democracia. Mas o que temos que ter é a capacidade de dialogar com responsabilidade, com serenidade e fazer aquilo que é possível fazer, sem comprometer as finanças do Estado e o nosso dever de devolver ao cidadão e à sociedade os serviços que eles querem de todos nós.

MidiaNews – Como enxerga a crítica de alguns deputados, segundo os quais não é justo conceder 6,05% de RGA e valores maiores que isso de duodécimo, fixado em 8,35%?

Mauro Mendes – A primeira coisa que eles deviam fazer é o seguinte: dar o exemplo e abaixar o valor do duodécimo. Eles podem fazer isso. Porque existe um acordo, está na legislação, de que o orçamento do ano anterior deverá ser corrigido pelo INPC e eu sou obrigado a cumprir leis.

 MidiaNews – O presidente Jair Bolsonaro tem sido alvo de diversas críticas ao longo do último ano, seja pela atuação na pandemia, seja pelo constante envolvimento em polêmicas por conta de declarações. Essa instabilidade política tem afetado Mato Grosso?

Mauro Mendes – Qualquer instabilidade atrapalha o país, e se atrapalha o país, atrapalha qualquer um dos seus estados. Claro que um mais do que outros. É aquela história: se você está bem posicionado e vem um vendaval, você se segura e o vento passa. Se está meio desequilibrado, você tomba.

E na economia não é diferente. É muito importante que essas instabilidades, que essas confusões, que essas brigas cessem e a gente possa trabalhar. Eu defendo que temos que ter mais foco no trabalho, trabalhar mais, conversar menos e entregar mais resultado. Isso vale para todo mundo. E tenho procurado fazer isso aqui dentro em Mato Grosso.

MidiaNews – O senhor já criticou o presidente em alguns momentos e o elogiou em outros. Recentemente, ele culpou os governadores pelo preço dos combustíveis por conta da carga tributária dos Estados e o senhor rebateu. Até que ponto é possível dosar as críticas para estabelecer verdades e não causar um rompimento na relação, como ocorreu no caso de São Paulo com o governador João Doria?

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Mauro Mendes – Eu respeito o nosso presidente Jair Bolsonaro. Ele é o nosso presidente, foi eleito democraticamente, com o meu voto, inclusive. Mas como cidadão, eu não perdi o meu direito, por ter votado nele, de criticar, de analisar e com responsabilidade ter as minhas opiniões. Assim como quem também votou em mim tem o direito de criticar com responsabilidade, com verdades. Isso é muito bom e sempre bem-vindo.

Quando o presidente fala do preço dos combustíveis, só fala do ICMS. Eu não mudei a minha alíquota aqui. Tem mais de dez anos que Mato Grosso tem a mesma alíquota. Não conheço a realidade dos outros estados, mas acredito que é a mesma situação. Ninguém subiu alíquota de imposto nos últimos três ou quatro anos.

Agora o preço da Petrobras aumenta todo mês e disso ele não fala. Então, o grande culpado do preço, volto a afirmar, é a Petrobras, que está arrancando o couro dos brasileiros para dar lucro e mandar para gringo.

MidiaNews – Como está atualmente a sua relação com o Governo Federal?

Mauro Mendes – Normal. É uma relação profissional, sem muito ‘beijinho, beijinho’, mas também nunca fui de ficar criando aresta, fazendo crítica desnecessária ou criando confusões. Eu foco no meu trabalho. Fui contratado como governador para cuidar de Mato Grosso e não pra ficar perdendo meu tempo em Brasília ou para ficar criando confusões. O Governo Federal, naquilo que precisar, tem e terá o nosso apoio, principalmente se for bom para os mato-grossenses.

MidiaNews – Os últimos feitos do senhor têm sido constantemente alvo de críticas do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro.Um exemplo é a questão da ferrovia, além dos cortes de impostos e a ação contra a implantação do BRT. A que atribui esses ataques?

Mauro Mendes – Eu tenho uma divergência forte com o prefeito de Cuiabá pelo comportamento de corrupção que tem acontecido dentro da Prefeitura. Sete secretários afastados por corrupção e oito operações policiais? Ele é o recordista brasileiro nesse campo. Ponto.

Não precisamos perder nosso tempo e o prefeito passa a ser um problema da Justiça, do Ministério Público e das forças policiais que têm o dever de combater corruptos nesse país, esteja ele onde estiver.

MidiaNews – Esses constantes embates têm atrapalhado Cuiabá? O Governo do Estado tem tido dificuldade para desenvolver projetos aqui na Capital?

Mauro Mendes – Nós temos importantes investimentos aqui. Estamos com o BRT, que apesar do prefeito da Capital ter prometido uma guerra, está tomando uma surra jurídica. Só resta a ele ficar conversando aos quatro ventos, porque tudo que era necessário fazer estamos fazendo. Ele quis fazer um plebiscito, não conseguiu. Tudo que ele tentou fazer, perdeu, porque ele está errado. E vamos continuar investindo em Cuiabá como já estamos fazendo.

Vou citar só três das dezenas de obras aqui em Cuiabá: Hospital Central, R$ 95 milhões; Hospital Júlio Muller, R$ 200 milhões; Rodoanel, R$ 200 milhões. Só aí já deu R$ 500 milhões na cidade de Cuiabá. Se colocar o BRT, serão mais R$ 600 milhões, só que é Cuiabá e Várzea Grande. Então, dá mais de R$ 1 bilhão de dinheiro do Governo do Estado investido aqui nessas duas cidades.

MidiaNews – Acha que esses ataques podem atrapalhar a imagem do senhor na Baixada Cuiabana, seu principal reduto eleitoral?

Mauro Mendes – O prefeito tem uma imagem muito ruim que começa com o Escândalo do Paletó e com essas oito operações policiais. Não quero perder o meu tempo falando dele.

Ele passou a ser um problema dos órgãos de controle, do Ministério Público, da Justiça e da Polícia.

MidiaNews – O senhor o classifica constantemente como corrupto e citou as operações policiais na Prefeitura. Acha que ele será responsabilizado por algum esquema?

Mauro Mendes – São oito operações e sete secretários afastados. Precisa dizer mais algo do que isso? Os números falam por si.

 MidiaNews – Estamos a um ano da eleição. Muitos defendem a sua reeleição, mas o senhor ainda não admitiu isso.

Mauro Mendes – Não. Isso não está no meu radar nesse momento. Tenho inúmeros objetivos, focos, que importam muito mais ao cidadão do que falar de eleições 2022, que é fazer essas obras andarem, cuidar do social, cuidar da saúde. O que falta é chegar o fim de março de 2022 para que aí sim isso entre na minha agenda.

MidiaNews – A primeira-dama vai participar dessa decisão?

Mauro Mendes – A primeira-dama e minha esposa Virgínia Mendes tem peso em todas as grandes decisões que afetam a minha vida e a minha família. Ela está casada comigo há 26 anos, tenho três filhos com ela, uma vida absolutamente de amor, de carinho. Então, se eu vou tomar uma decisão que vai impactar na minha vida, tenho, por respeito e pela lealdade que tenho com ela, que discutir sim, com ela e meus filhos.

MidiaNews – Em 2016, a situação financeira das suas empresas também pesou na sua escolha de não sair candidato à reeleição pela Prefeitura de Cuiabá. Isso também deve pesar na decisão agora?

Mauro Mendes – Na verdade, eu citei problemas familiares e, entre os assuntos de uma família está as fontes de receitas que você tem para sua família. Eu sempre vivi do trabalho. Hoje, tenho o meu salário, vivo apenas com ele aqui dentro do Governo, mas tenho a minha vida lá fora, tenho atividades empresariais que construí ao longo dos 40 anos. Então, é um conjunto de fatores.

MidiaNews – Sobre o cenário nacional das eleições, muito se fala em um embate Lula versus Bolsonaro. Acha que essa polarização é prejudicial para o país?

Mauro Mendes – A democracia é sempre boa para o país, é um dos grandes valores que temos e espero que ela nunca seja colocada em risco. Na democracia a gente tem que fazer escolhas e elas ocorrem entre as alternativas que temos. Espero que tenhamos mais alternativas. Mas as escolhas serão feitas por Deus e por cada eleitor brasileiro. E isso é sempre bom não importa qual seja a escolha.

MidiaNews – Como esse cenário nacional vai afetar a disputa em Mato Grosso?

Mauro Mendes – Não tem como não imaginar que uma eleição de um cenário nacional não tenha um nível de interferência nos cenários estaduais. Isso é possível, mas não vejo como determinante, preponderante. O que o eleitor vai fazer é saber se o presidente ou os candidatos à presidência atendem às suas expectativas.

No caso específico de Mato Grosso, se o governador for à reeleição, se ele trabalhou com seriedade, se ele melhorou a vida das pessoas, se entregou obras e resultados, se melhorou a saúde, cuidou da saúde, melhorou a infraestrutura do seu Estado e merece continuar administrando. Eu espero que cada vez mais os brasileiros aprendam o valor e a importância que o voto tem, porque as nossas escolhas é que vão determinar o nosso futuro.

MidiaNews – Como espera que esteja Mato Grosso no final do seu mandato em 2022?

Mauro Mendes – Espero que esteja um Estado equilibrado e que, como prometi na eleição, muito melhor do que quando o recebi, em janeiro de 2019. Hoje, os números já mostram isso. É um Estado que há quase um ano paga os salários em dia, paga fornecedores em dia, retomou grande parte das obras que estavam paralisadas, iniciou centenas de obras, realiza o maior investimento da história de Mato Grosso e um dos maiores do Brasil. Já é um Estado muito melhor e é assim que eu quero chegar ao final de 2022.

MidiaNews – O senhor tem medo, após a sua saída, que o Governo de Mato Grosso seja assumido no futuro por um mau gestor?

Mauro Mendes – Eu vou decidir no final de março ou começo de abril se irei ou não à reeleição. Se eu não for, terá tempo suficiente para todos do grupo discutirmos e tentarmos criar boas alternativas para o cidadão escolher, porque ele que fará as escolhas.

O ideal é evitar que, aquilo que aconteceu em Cuiabá, algum dia possa acontecer em Mato Grosso.

Fonte: Folha Max

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Lúdio Cabral faz representação à PGJ para anular edital de seleção de interinos da Educação que exclui pessoas do grupo de risco

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Foto: JLSIQUEIRA / ALMT

O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) prepara uma representação ao procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, para anular o processo seletivo lançado na quarta-feira (27) pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para contratação de professores e funcionários interinos nas escolas estaduais de Mato Grosso. Lúdio destacou diversas irregularidades no edital de seleção e solicita que o Ministério Público Estadual (MPE) acione o governador Mauro Mendes (DEM) e o secretário de Educação, Alan Porto, para suspender o edital.

“Olha a irresponsabilidade do governo de Mato Grosso: o edital é copiado integralmente de um seletivo do Espírito Santo. E outra maldade: o edital prevê que pessoas do grupo de risco não poderão ser contratadas. É um absurdo o que estão fazendo nesse processo seletivo. Prossegue a política de terra arrasada na educação pública em Mato Grosso, conduzida por esse governo que terá como marca o fechamento de escolas”, disse Lúdio.

O deputado destacou ainda que há centenas de classificados no último concurso público da Educação que não foram nomeados. “Não faz sentido abrir processo seletivo com concurso em vigência, com centenas de trabalhadores na fila aguardando nomeação desde 2017, inclusive muitos profissionais que já atuam como interinos. É absolutamente possível nomear todos do cadastro de reserva, todos os habilitados, e ainda abrir seleção de interinos por contagem de pontos sem custo nenhum”, afirmou Lúdio.

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O processo seletivo lançado pela Seduc na quarta-feira altera o formato de contratação de profissionais da Educação interinos que é feito há décadas em Mato Grosso, por meio do sistema de contagem de pontos.

“A Seduc contratou uma empresa privada sem licitação para realizar o processo seletivo de contratação de trabalhadores interinos na Educação, com cobrança de inscrição, ao custo de milhões de reais. Não tem sentido essa mudança em algo que sempre foi feito a custo zero, pela própria Seduc e pelas escolas, por meio do processo de contagem de pontos. Os trabalhadores interinos não são contratados temporariamente, são força de trabalho permanente nas escolas estaduais porque a maioria deles estão há mais de 10 anos trabalhando”, destacou Lúdio.

Fonte: ALMT

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