Saúde
Covid-19: 86 milhões de brasileiros pertencem a grupos de risco, diz estudo
Estudo da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) aponta que 54,5% da população brasileira, o que representa 86 milhões de pessoas, fazem parte do grupo de risco, ou seja, apresentam um ou mais fatores que as colocam em condições mais suscetíveis a complicações em caso de contaminação pelo vírus causador da Covid-19.
“Quando a ideia de isolamento vertical [quando grupos de risco são isolados] e a flexibilização da quarentena começou a ser discutida, me surgiu a pergunta: mas o que é grupo de risco? Quem e quantas são as pessoas que pertencem a ele?”, contou o professor da EPM/UNIFESP Leandro Rezende à CNN.
A pergunta motivou Rezende a coordenar o estudo que chegou a este resultado. Em um primeiro momento, foram considerados como fatores de risco a idade superior ou igual a 65 anos, doenças cardiovasculares, diabetes, doenças respiratórias, hipertensão, câncer ou AVC. Neste caso, o número de brasileiros que se enquadram no grupo de risco é de 34%, portanto, 53 milhões de pessoas. O número aumenta ao serem analisados os fatores apresentados por estudos mais recentes, conduzidos na Europa e nos Estados Unidos, como obesidade, tabagismo e doença renal crônica, chegando aos 54,5% da população no Brasil.
“Isso é bastante preocupante, mas pertencer a um grupo de risco é apenas um dos fatores que influenciam na taxa de letalidade. Existem outros que influenciam, como: quando foram tomadas as medidas de distanciamento social, a estrutura do sistema de saúde disponível para atendimento etc. O Amazonas, por exemplo, aparece no ranking dos estados com menor proporção de adultos em grupo de risco, no entanto, apresenta taxa de mortalidade por Covid-19 alta”, explica Rezende.
Na análise por estado, São Paulo é o segundo com a maior proporção de adultos, 58,2%, que apresentam um ou mais fatores considerados de risco, atrás do Rio Grande do Sul (58,4%) e a frente do Rio de Janeiro (55,8%). Já os estados com menor proporção são Amapá (45,9%), Roraima (48,6%) e Amazonas (48,7%).
Outras análises do estudo
A pesquisa analisou a proporção em dois grupos etários diferentes. Em adultos com menos de 65 anos, 47% são grupo de risco; já em idosos acima dos 65, eles representam 51%. Ou seja, as porcentagens são altas em ambos os grupos.
O estudo também mostrou que os brasileiros com maior escolaridade são duas vezes menos suscetíveis a complicações pelo novo coronavírus. Apenas 27% dos adultos com superior completo são grupo de risco, contra os 66% que nem chegaram a completar o ensino primário.
Leandro Rezende explica que a escolaridade é uma variável utilizada em estudos populacionais para caracterizar o nível socioeconômico, mas ela é apenas um dos determinantes sociais. “Existem outros, como renda, local de moradia, informação em saúde etc.”
Base da pesquisa
O estudo levou em consideração a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), pesquisa domiciliar realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013. Rezende ressalta que essa é a pesquisa mais recente disponível e a que abrange a maior parte dos critérios considerados no estudo de identificação da população de grupo de risco. “Para vermos como é necessário o investimento na área de pesquisa e de ciências, porque para analisar um problema de 2020, usamos uma pesquisa de 2013”, comenta.
Fonte: cnnbrasil.com.br
ARTIGOS
Crianças são reflexo do ambiente
Por Mariana Vidotto
Durante anos, inúmeras famílias chegaram ao consultório em busca de respostas para comportamentos considerados “difíceis” nas crianças: crises emocionais, agressividade, ansiedade, dificuldades de aprendizagem, insegurança, irritabilidade, isolamento, explosões frequentes ou até sintomas físicos sem causa aparente.
Na maioria das vezes, o olhar inicial recaía exclusivamente sobre a criança, como se ela fosse o centro do problema. Mas a prática clínica revela algo muito mais profundo: a criança raramente adoece sozinha.
Ao longo da experiência construída no acompanhamento terapêutico infantil e familiar, tornou-se impossível ignorar um padrão recorrente. Muitas crianças estavam apenas expressando, através do comportamento, aquilo que o sistema familiar ainda não havia conseguido elaborar emocionalmente. O sintoma infantil, frequentemente, é a linguagem silenciosa de um ambiente emocionalmente sobrecarregado.
A criança absorve o ambiente antes mesmo de compreender plenamente as palavras. Ela percebe tensões, sente ausências afetivas, reage à instabilidade emocional dos adultos, internaliza conflitos, excessos de cobrança, desconexões emocionais e vínculos fragilizados. Aquilo que muitas vezes é interpretado apenas como “mau comportamento” pode ser, na verdade, uma manifestação legítima de sofrimento emocional.
A neurociência do desenvolvimento infantil já demonstra que o cérebro da criança é profundamente moldado pelas experiências emocionais vividas dentro do ambiente familiar. Relações marcadas por insegurança, instabilidade, rigidez excessiva, negligência emocional ou ausência de presença afetiva impactam diretamente a forma como essa criança aprende, se relaciona, regula emoções e constrói sua percepção sobre si mesma e sobre o mundo.
Foi justamente a partir dessa compreensão clínica que surgiu a necessidade de ampliar o cuidado para além da criança. Porque tratar apenas o comportamento infantil, sem olhar para a dinâmica emocional da família, é atuar apenas na consequência enquanto a origem permanece intacta.
Ao longo de mais de uma década acompanhando famílias em diferentes países, uma constatação passou a se repetir de forma contundente: muitas crianças carregam dores emocionais que não nasceram nelas. Elas apenas expressam aquilo que o sistema familiar silencia, reprime ou ainda não conseguiu transformar.
Existem crianças vivendo em estado constante de alerta emocional. Crianças rotuladas como agressivas quando, na verdade, estão emocionalmente desorganizadas. Crianças consideradas “difíceis” quando apenas aprenderam a sobreviver ao caos emocional ao redor delas.
O olhar sistêmico rompe com a ideia ultrapassada de individualizar o sofrimento infantil. Ele compreende que toda criança está inserida em uma dinâmica emocional coletiva e que, muitas vezes, ela se torna o reflexo mais visível de estruturas familiares fragilizadas.
Por isso, o trabalho terapêutico com famílias não busca culpados. Busca consciência. Busca interromper padrões emocionais destrutivos que atravessam gerações de forma silenciosa. Busca reconstruir vínculos, fortalecer a comunicação afetiva e devolver segurança emocional às relações.
Quando os adultos se reorganizam emocionalmente, a criança deixa de precisar manifestar através do comportamento aquilo que a família ainda não conseguia enxergar.
É nesse momento que o desenvolvimento infantil deixa de ser apenas uma tentativa de correção de sintomas e passa a se tornar um verdadeiro processo de transformação familiar.
Porque, na maioria das vezes, a criança não é o problema. Ela é apenas a primeira a revelar que algo dentro daquela estrutura precisa ser cuidado.
Mariana Vidotto é psicoterapeuta, mentora e palestrante, especialista em neurociência aplicada ao desenvolvimento humano e dinâmica familiar com acompanhamento terapêutico sistêmico. @marianavidotto
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