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A gripe aviária e o Mato Grosso / Por Júlio Campos Neto

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O Brasil registrou, na semana passada, o primeiro surto de gripe aviária, H5N1, em uma granja comercial no estado do Rio Grande do Sul.

O MAPA, Ministério da Agricultura e Pecuária, agiu rapidamente e passou a rastrear os ovos dessa granja de Montenegro (RS), afirmando que eles foram localizados em três estados brasileiros e que foram destruídos, segundo reportagem do site UOL de 18 de maio de 2025.

A gripe aviária é uma doença de notificação obrigatória à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), por ser uma doença viral altamente contagiosa que afeta várias espécies de aves domésticas, silvestres e, ocasionalmente, mamíferos como cães, gatos e seres humanos.

No primeiro momento, as exportações de proteínas de origem aviária foram paralisadas para os principais mercados internacionais, como o chinês, europeu e americano, com a tendência de que demais países sigam também proibindo a entrada desses produtos em seus mercados, o que afeta a balança comercial e o preço dos produtos.

O que nós do Mato Grosso temos a ver com isso?

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Apesar do mercado local de ovos e carnes aviária ser abastecido por produtores locais e livres dessa doença, a contaminação pode ocorrer através de produtos, embalagens e veículos oriundos da região afetada — e é aí que mora o perigo.

Todo o trabalho que nós, produtores locais de carnes e ovos, realizamos na área de biossegurança para levar um alimento saudável para sua família pode ser em vão, caso as barreiras sanitárias do nosso estado não adotem novos protocolos de entrada de veículos e produtos que possam estar contaminados.

O INDEA-MT tem o dever e a responsabilidade de criar barreiras e mecanismos de descontaminação de veículos oriundos do Rio Grande do Sul, para que um surto local não se transforme em uma pandemia e atinja o Mato Grosso.

Por enquanto, a nossa produção local de ovos e carnes de frango é segura para o consumo humano. Entretanto, caso não agirmos com rigor, tanto internamente nas granjas quanto nas barreiras de entrada do nosso estado, poderemos sim ter de nos preocupar em deixar de ser livres da gripe aviária, e nossos produtos poderão colocar a vida humana em risco.

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A hora de agir é já!

Júlio Campos Neto é administrador de empresas e produtor rural de ovos caipiras e frutas agroecológicas.

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Crianças são reflexo do ambiente

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Mariana Vidotto é psicoterapeuta, mentora e palestrante
Mariana Vidotto é psicoterapeuta, mentora e palestrante

Por Mariana Vidotto

Durante anos, inúmeras famílias chegaram ao consultório em busca de respostas para comportamentos considerados “difíceis” nas crianças: crises emocionais, agressividade, ansiedade, dificuldades de aprendizagem, insegurança, irritabilidade, isolamento, explosões frequentes ou até sintomas físicos sem causa aparente.

Na maioria das vezes, o olhar inicial recaía exclusivamente sobre a criança, como se ela fosse o centro do problema. Mas a prática clínica revela algo muito mais profundo: a criança raramente adoece sozinha.

Ao longo da experiência construída no acompanhamento terapêutico infantil e familiar, tornou-se impossível ignorar um padrão recorrente. Muitas crianças estavam apenas expressando, através do comportamento, aquilo que o sistema familiar ainda não havia conseguido elaborar emocionalmente. O sintoma infantil, frequentemente, é a linguagem silenciosa de um ambiente emocionalmente sobrecarregado.

A criança absorve o ambiente antes mesmo de compreender plenamente as palavras. Ela percebe tensões, sente ausências afetivas, reage à instabilidade emocional dos adultos, internaliza conflitos, excessos de cobrança, desconexões emocionais e vínculos fragilizados. Aquilo que muitas vezes é interpretado apenas como “mau comportamento” pode ser, na verdade, uma manifestação legítima de sofrimento emocional.

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A neurociência do desenvolvimento infantil já demonstra que o cérebro da criança é profundamente moldado pelas experiências emocionais vividas dentro do ambiente familiar. Relações marcadas por insegurança, instabilidade, rigidez excessiva, negligência emocional ou ausência de presença afetiva impactam diretamente a forma como essa criança aprende, se relaciona, regula emoções e constrói sua percepção sobre si mesma e sobre o mundo.

Foi justamente a partir dessa compreensão clínica que surgiu a necessidade de ampliar o cuidado para além da criança. Porque tratar apenas o comportamento infantil, sem olhar para a dinâmica emocional da família, é atuar apenas na consequência enquanto a origem permanece intacta.

Ao longo de mais de uma década acompanhando famílias em diferentes países, uma constatação passou a se repetir de forma contundente: muitas crianças carregam dores emocionais que não nasceram nelas. Elas apenas expressam aquilo que o sistema familiar silencia, reprime ou ainda não conseguiu transformar.

Existem crianças vivendo em estado constante de alerta emocional. Crianças rotuladas como agressivas quando, na verdade, estão emocionalmente desorganizadas. Crianças consideradas “difíceis” quando apenas aprenderam a sobreviver ao caos emocional ao redor delas.

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O olhar sistêmico rompe com a ideia ultrapassada de individualizar o sofrimento infantil. Ele compreende que toda criança está inserida em uma dinâmica emocional coletiva e que, muitas vezes, ela se torna o reflexo mais visível de estruturas familiares fragilizadas.

Por isso, o trabalho terapêutico com famílias não busca culpados. Busca consciência. Busca interromper padrões emocionais destrutivos que atravessam gerações de forma silenciosa. Busca reconstruir vínculos, fortalecer a comunicação afetiva e devolver segurança emocional às relações.

Quando os adultos se reorganizam emocionalmente, a criança deixa de precisar manifestar através do comportamento aquilo que a família ainda não conseguia enxergar.

É nesse momento que o desenvolvimento infantil deixa de ser apenas uma tentativa de correção de sintomas e passa a se tornar um verdadeiro processo de transformação familiar.
Porque, na maioria das vezes, a criança não é o problema. Ela é apenas a primeira a revelar que algo dentro daquela estrutura precisa ser cuidado.

Mariana Vidotto é psicoterapeuta, mentora e palestrante, especialista em neurociência aplicada ao desenvolvimento humano e dinâmica familiar com acompanhamento terapêutico sistêmico. @marianavidotto

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